>>Por que seu pai merece ser chamado de herói?
Na brinquedoteca da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), sorrisos retratam alegria e desenvoltura no manuseio das peças educativas dispostas sobre a mesa. Sentada, com concentração de gente grande, a pequena Láiza não economiza simpatia e logo abre os braços ao avistar o pai, André, que chega para cumprimentá-la.
Entre abraços, beijos, afagos e carinhos, André Santos Silva, 30 anos, e Láiza Vitória Magalhães Silva, 7, revelam uma relação que extrapola o amor paternal.
Os dois passam a maior parte do dia juntos. Uma prova de companheirismo, que se estreita a cada dia, a cada passo, a cada conquista realizada. Portadora da síndrome de Down, Láiza possui habilidade cognitiva abaixo da média, o que não a impede de demostrar o quanto a presença do pai é relevante em cada momento vivido.
Todos os dias, ela acorda cedo e, juntamente com o irmão Samuel Magalhães Silva, 8 anos, é conduzida por André à escola. Os dois estudam na Escola Municipal Soror Joana Angélica, no bairro de Nazaré, na qual a metodologia de ensino é regular, sem dinâmica especializada para a educação de pessoas com comprometimentos intelectuais.
Na instituição, Láiza convive com alunos sem deficiência cognitiva, mas não deixa de receber a atenção merecida. A inclusão é uma conquista. A gente vai, aos poucos, conseguindo, afirma André, que faz questão de acompanhar todas as etapa da filha.
Admiração - Livre da síndrome genética causada ainda na formação do feto durante a gestação , o filho Samuel cursa o 3º ano do ensino fundamental, o equivalente à 2ª série na antiga Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A idade é pouca, mas suficiente para revelar o carinho e a atenção que também sente pelo jovem pai.
Ele leva a gente e vai buscar todos os dias na escola, conta o garoto. Antes mesmo de completar a resposta sobre as atividades escolares, ele afirma, cheio de convicção: Meu pai é um ganhador de prêmios. Ganha todos.
O pequeno diz que o pai é mesmo um herói , pois já ganhou computador, videogame e muitas outras coisas em concursos e premiações. A gente cata tampinha de refrigerante para participar. Ele é um pai premiado, conta.
André não deixa de se inscrever em promoções de produtos nacionais e premiações promovidas por grandes empresas ou multinacionais. Já ganhou computador, máquina fotográfica digital, máquina de lavar, celulares, televisão e até camisa da Seleção Brasileira de Futebol.
Mas o poder de herói de André não se resume aos prêmios conquistados. Me sinto um herói, pois estou contribuindo com o desenvolvimento da minha filha, dando condições para ela se integrar na sociedade, revela.
Para ele, que pediu demissão do emprego de office-boy para cuidar de Láiza em tempo integral, a luta contra o preconceito é grande. Hoje, me dedico a ela. Tem gente que não respeita, outros até reclamam. Eu luto pela inclusão dela, reforça.
Serviço
Para informações sobre o trabalho realizado pela Apae: Tel.: (71) 3270-8300.