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30/07/2010 às 19:42
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Reitor da Ufba se despede do cargo com bons resultados

Lorena Caliman, do A TARDE On Line

A apresentação dos resultados dos oito anos de administração de Naomar de Almeida Filho, reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), entre 2002 e 2010, nesta sexta-feira, 30,  foi marcada pela perspectiva do crescimento e da gestão participativa, apoiada pelo Ministério da Educação (MEC). Aberta com a performance musical do professor da Escola de Música da Ufba, Mário Ulloa, a cerimônia, que durou cerca de duas horas, teve momentos de descontração e agradecimentos da plateia composta por autoridades, docentes, alunos e admiradores.

Naomar, professor titular de Epidemiologia do Instituto de Saúde Coletiva da Ufba, iniciou seu relatório com o diagnóstico da universidade no início de seu primeiro mandato, em 2002. O diagnóstico preparado pela equipe do reitor trazia a percepção de que a Ufba, em 2002, passava por um momento de desvalorização social, com a necessidade de renovar pontos cruciais na universidade, como a Faculdade de Medicina, situada no Terreiro de Jesus, cujo patrimônio físico e cultural se encontrava em estado de deterioração. Uma coletânea de fotos mostrou não só a reforma física, mas todo o trabalho dos professores voluntários que formaram um mutirão para recuperar parte do acervo da Biblioteca de Saúde.

Outro ponto destacado na apresentação foi o crescimento do corpo de alunos da instituição. Em 2002, a graduação contava com 17.941 estudantes. Em 2010, o número passou para 28.477, apresentando um crescimento de 58,7%. Além disso, a Ufba deu início à interiorização, com a inauguração da instituição no interior do Estado, a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), cujo atual reitor, Paulo Gabriel Soledade Nacif, também esteve presente no evento.

Programa Federal – O ministro da Educação, Fernando Haddad, também participou do evento e corroborou as melhorias ocorridas nos últimos anos, ressaltando os investimentos do Governo na área da educação, o que possibilitou a implementação de projetos de expansão e restruturação curricular, como os Bacharelados Interdisciplinares (B.I.s).

Segundo Naomar, os principais destaques de sua gestão foram as ações afirmativas - o número de estudantes de baixa renda na universidade cersceu de 11% para 34% - e a expansão da universidade apoiada pelo Programa de Reestrututação e Expansão das Universidades (Reuni). Para ele, o maior desafio para a próxima reitora, Dora Leal, será “criar rotinas que consolidem a expansão e a transformação” experimentadas nessa fase. Outro problema que ainda deve ser resolvido, segundo o reitor, é a questão da estrutura administrativa.

O ministro Haddad ressaltou que “a modernização acadêmica precisa ser acompanhada pela administrativa”. Para ele, “a questão central [das universidades brasileiras] é o processo de expansão, de 113 mil vagas para 260 mil vagas a partir de 2003”. Segundo o ministro, as universidades devem aproveitar todas as oportunidades que a legislação permite e fomenta, como a educação à distância, os bacharelados interdisciplinares e os programas de pesquisa.

Com as mudanças no perfil dos estudantes em decorrência das ações afirmativas, a percepção de que a Universidade Federal da Bahia era uma instituição de elite passa a dar lugar ao título da revalorização social, acredita Naomar. Ainda assim, problemas não podem deixar de ser percebidos, como o fato de ainda faltarem serviços essenciais a estudantes pobres, a exemplo das residências universitárias. Apesar de ter aumentado de 230 para 790 vagas, de 2002 a 2010, o número ainda é considerado baixo. Assim como o Restaurante Universitário, que hoje fornece 1.500 refeições diárias, número que ainda pode crescer.

PLanos para o futuro - Ao final da cerimônia, Haddad elogiou a atuação do reitor e lembrou que o professor do Instituto de Saúde Coletiva está saindo da reitoria, mas não da universidade.

Segundo informações da assessoria do reitor, os planos de Naomar são de voltar a dar aula, inclusive aproveitando a oportunidade de poder estar lotado em duas unidades: além do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), o Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC).

Há cerca de cinco anos no cargo, Haddad afirmou ter acompanhado a “melhor parte” da gestão do reitor Naomar de Almeida, e declarou admiração pelo professor, afirmando que o professor entraria não só “para a história da administração, mas como uma pessoa que se dispôs a discutir o papel da universidade”.

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COMENTE ESSA MATÉRIA  4 comentários

O que você achou desta matéria?

Anderson Lobo Silva (25/08/2010 - 14:20)

O aumento de vagas é sempre bem-vindo... mas tem que ser feito com responsabilidades! Hoje na UFBA é incontavel o número de turmas que não têm nem salas de aula! Falta-se professores, servidores, bibliotecas, restaurantes universitários, equipamentos e, principalmente, vergonha!

César Lima (31/07/2010 - 08:07)

Foi surpreendente o aumento de vagas na UFBA nos últimos tempos. Lembro como ela estava completamente abandonada nos anos de governo do PSDB, nos quais até vagas foram cortadas como no curso de medicina que teve as vagas reduzidas sendo que FHC pensou em privatizar as universidades públicas. Hoje o governo federal multiplicou as vagas e criou novas universidades federais na Bahia.

Walter Miranda Walter Miranda (30/07/2010 - 23:42)

Não tem nada a comemorar com a gestão desse Sr.Cadê a segurança nas unidades? Cadê o restaurante universitário? Cadê biblioteca bem equipadas? Cadê as residências universitarias. Cadê o aumento de vagas no curso de medicina? Cadê as salas decentes? Tem um ótimo discurso...

Conceição Alves (30/07/2010 - 20:13)

Fui aluna da UFBA, mas os baianos precisam conhecer outras universidades no nordeste para saber o que é crescimento fisico e acadêmico. As melhores universidades no nordeste são- UFPE e UFRN. Moro atualmente em Natal e como fui também aluna dessa universidade posso constatar seu crescimento, inclusive com o apoio da Petrobás investindo em laboratórios. Faço um convite a nova reitora - Dora Leal - venha a UFRN, para saber o que é desenvolvimento, não pensem que sou potiguar, pois não sou!

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